No ultimo sábado, 03 de Dezembro de 2011, aconteceu na Câmara Municipal de Vereadores a 3° Conferência Municipal de Cultura de Pedreiras, um momento importante para se discutir planos, metas e estratégias direcionadas a cultura para os próximos 10 anos. Segundo relato de uma participante, um dos pontos ali discutidos e que vou comentar nas linhas seguintes, foi a velha rivalidade entre a arte, mais especificamente a música americana que segundo argumentos colocados, aparece em detrimento da arte, mais especificamente a música local, ou melhor, da terra. Criticou-se a mídia local por não ou dificilmente tocar músicas de cantores pedreirenses. O que você acha, os argumentos são validos? Qual o papel das rádios e dos artistas locais diante dessa problemática?
É muito fácil levantar a bandeira do patriotismo e dizer quem são os culpados pelo insucesso da música local diante de uma Mídia Globalizada que diferentemente de anos anteriores está bem mais próxima do público, em outras palavras, está mais interativa, levando em consideração o gosto musical de boa parte do seu público. Essa mídia que ampliou a possibilidade de sucesso para muitos artistas não tirou deles a responsabilidade de serem criativos, inovadores, empreendedores, o músico é um empreendedor e o que vai determinar o seu sucesso é a qualidade do que produz, coisa que não vejo no atual panorama artístico musical de Pedreiras, o que vejo são letras sem graça, depreciativas as mulheres e aos homossexuais, o sexo e a traição é o ponto forte e Pedreiras seria um grande cabaré, e o que dizer dos Colvers (Garrincha manda bem) mal feitos por quem vive da música alheia que por sinal não se originaram da cultura local.
Muita gente por aqui vivi da música ( não sei como...) mas não sabe fazer música, ela vai além de um pedestal, um microfone e um violão, é a harmonia perfeita entre o interprete, o ritmo e o lugar, nunca espere que alguém afogando as magoas em uma mesa de bar vá falar de amor, de fidelidade... Não é Reginaldo kk? Criatividade, é isso que anda em falta no meio musical pedreirense, poderiam bolar um clipe com baixos custos, clipe que não se resumiria a monótona cena de um cantor e no fundo uma paisagem natural, por que não fazer diferente? Há tanto lugares que podem servir de plano de fundos para clipes bacanas combinados com a letra da canção que poderiam ir quentinhas para o You Tube (alguns deles nem sabem o que é isso), que por sinal é uma grande ferramente na difusão das mais diversas formas de arte, principalmente a música.
João do Vale, maranhense do século, não tinha nem eira nem beira, se tivesse ficado aqui, séria hoje apenas mais um corpo a se decompor sem ter deixado legado algum, humildade, palavras que resumem uma das maiores heranças deixada pelo músico, coisa rara nos artistas locais de hoje, é um bla bla bla social, nunca vi um show de graça, para seu próprio povo, sua gente. Grande parte dos cantores daqui precisam aprender a descer do palco depois de cantar e olha que só estou falando dos músicos. As rádios não tocam músicas americanas pelo simples fato de querer tocar, é o que o público gosta, por que vem nas músicas lá de fora bem mais sentimento e menos artificialidade, claro, tem muita besteira vinda de fora, isso é verdade, e outra, nos dias de hoje nada é daqui e dá li, a cultura tem berço, mais não tem casa, ela é um bem de toda a humanidade, ela leva características locais que se misturam nesse liquidificador chamado de Globalização Cultural.
Dizem que os artistas são obrigados a se prostituir, e os ouvintes o que farão? Prostituirão seus ouvidos com letras do tipo Molin Molin? Enquanto os que se dizem defensores da nossa arte são os primeiros a trazer uma Sacode, que o povo gosta, para o Carnaval? Alias, o corpo sacode, o cérebro continua atrofiado, é uma pena, mas as coisas estão mudando, e ainda bem.
Jerusalém, tá ai uma música boa de se ouvir, letra bem elaborada pelo Paul Getty, é difícil ouvi-la e não lembrar de Pedreiras, muita gente a conhece, ou seja, o que resta aos envolvidos com a arte, todos nós, é preservamos e conservarmos as características fundamentais da nossa cultura, investir nela e não apenas ficar nas estratégias, é preciso fazer os que os americanos fazem, utilizar e criar meios de disseminá-la, cultura essa que desde os primórdios é bem diversificada, cuja música pode facilmente conter batidas africanas, melodias inglesas, danças indígenas, hits americanos, precisamos aprender com a história, o tempo e arte, que são eternos.

Concordo em gênero,numero e grau! Muito boa essa matéria, mostra sem "tabus" a real historia da musica pedreirense.
ResponderExcluirConcordo que temos que valorizar os nossos artistas,mais meu querer que o povo ouça molim molim pelo amor de Deus.
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